Casa Marciana
Book's Academy

By: info | November 08, 2017

Uma das técnicas de impressão que se generalizou ao longo do século XVI foi o talho-doce ou gravura de entalhe, realizada com um cinzel (ou buril) sobre uma placa de cobre.

Embora permitisse um maior detalhe e um traço mais fino no desenho, não se conjugava facilmente com o texto, pois este era impresso por via do relevo e não do entalhe.

A morte, o cavaleiro e o diabo, Dürer, 1513

Por isso, as primeiras publicações pensadas concretamente para os mais jovens tinham escassas ilustrações, com pouca interligação com o texto, aparecendo em páginas isoladas.

A xilogravura de topo, concretizada sobre pranchas de corte transversal às fibras, e por isso numa superfície mais densa, permitia que a gravação fosse mais fina e precisa. A xilogravura de topo consistiu numa importante evolução tecnológica na história do Livro Ilustrado, uma vez que facilitava o convívio numa mesma página entre texto e imagem*.

* Para ler o livro ilustrado, Sophie Van Der Linden, Cosac Naify, 2011, pp.12.

Chillingham Bull, Thomas Bewick, 1789

O grande inventor da xilogravura de topo foi o inglês Thomas Bewick, por volta do ano de 1770. Autor de história natural, escreveu, ilustrou e publicou diversos livros sobre este tema, contando entre eles com: A História dos Quadrúpedes e A História dos Pássaros Britânicos.

A History of British Birds, the Kingfisher, Thomas Bewick, 1809

A litografia surgiu já no final do século XVIII, pelas mãos do dramaturgo checo Aloysius Senefelder, enquanto este procurava um método mais fácil para imprimir ele mesmo os seus textos, que não tinham tido aceitação junto das editoras.

Esta técnica permite desenhar directamente numa pedra calcária de grão muito fino, através de uma ferramenta riscadora (lápis, pincel, pena), empregnada com uma tinta gordurosa. É da repulsão entre esta substância e a água que se gera a imagem.

Monsieur Crépin, Rodolphe Töpffer, 1837

Recorrendo à técnica litográfica, Rodolphe Töpffer conseguiu, em 1835, realizar uma série de "desenhos acompanhados, logo em baixo, de um texto manuscrito" compondo os primeiros livros em BD. Estes consistiam numa série de vinhetas articuladas entre si que integravam o texto, a que o próprio autor designou como "literatura em estampa"*.

* Para ler o livro ilustrado, Sophie Van Der Linden, Cosac Naify, 2011, pp.13.

The Struwwelpeter, Heinrich Hoffmann, 1858

Em 1858 é editado na Alemanha o livro João Felpudo de Heinrich Hoffmann, cujo diálogo entre narratica verbal e visual é extraordinariamente bem conseguido.

Sem qualquer dúvida, a história do Livro Ilustrado Infantil está intimamente ligada à evolução das técnicas de reprodução. Desde as tecnologias mais rudimentares como a xilogravura, à gravura ou à litografia, entre outras, não é possível fazer uma correcta linha temporal desde as origens do Livro Ilustrado Infantil, sem que esta se torne inevitavelmente numa linha do desenvolvimento e aparecimento de novas tecnologias de impressão.

Category: História do Livro Ilustrado Infantil 

Tags:

Comments:

Be the first to comment ...

Post a Comment