Sentada,
na relva molhada,
a minha tia Ana
aparenta marciana.
Sem pressa,
despreocupada,
a ler um livro
entusiasmada.
São coisas simples,
naturais,
as que ela gosta
de fazer mais.
Foi desde cedo que a Ana Maymone descobriu o gosto pelos livros. Em pequena, construía fanzines (ainda nem sabia o que isso era) que distribuía em casa, pelos pais, avós, tios e primos, em ocasiões especiais como o Natal. Pegava em poemas que aprendia na escola, copiados à mão, e ilustrava-os num simples caderno de lombada agrafada. Só mais tarde se aventurou a escrever a sua própria poesia, que a mãe ainda guarda na gaveta das recordações.
Cresceu a "devorar" livros, desde as aventuras do Corsário Negro, de Emilio Salgari, aos clássicos como Dostoiévski, Oscar Wilde, Huxley, Kafka, entre outros. Só interrompia a leitura para desenhar, especialmente a irmã, a sua cobaia preferida.
Acabou por seguir artes e deu um salto pela arquitectura. Licenciou-se em 2006 pelo IST, onde também realizou, mais tarde, o seu mestrado.
Como a vida possível de arquitecta não era aquilo que sonhara, começou a dar explicações e depressa percebeu que tinha herdado o bichinho da mãe: o gosto por ensinar. Para aprofundar os seus conhecimentos na área da educação, fez formações na Gulbenkian e online com o MoMa (Art and Inquiry: Museum Teaching Strategies For Your Classroom e Art and Activity: Interactive Strategies for Engaging with Art).
No entretanto, ingressou em vários cursos na área da escrita, como Escrita para Cinema e Televião (FCSH - Paulo Filipe Monteiro), Narrativas do Real (Bertrand - Patrícia Fonseca) e Escrita de Fusão (Isabel Costa), e na área da ilustração, como Ilustração para a Infância (Nextart - Teresa Cortez) e Curso de Ilustração (CIEBA - FBAUL - João Catarino).
Leccionou o Inglês nas AEC's na Escola Básica D. Carlos I, onde teve a oportunidade de aplicar os conhecimentos adquiridos e de aprender muitos outros mais.
Em 2015, aliou a escrita à ilustração e ao ensino e desenvolveu, em parceria com a Clínica da Educação e o espaço Atmosfera M, as oficinas criativas Histórias Ilustradas, projecto que continua hoje na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro e na Casa das Histórias Mágicas.
Em 2017, como resolução de Ano Novo, iniciou o seu ambicioso projecto Casa Marciana, nome sugerido pela sobrinha, que acredita que a Tia Ana só pode ser de outro planeta...
... Só pode ser marciana!